DO SONHO INDIVIDUAL AO COLETIVO

Por muitas centenas de anos nos relacionamos e agrupamos em pequenos grupos, tribos e clãs, morávamos juntos, trabalhávamos com os mesmos objetivos, caçávamos, lutávamos lado a lado, nos defendíamos e protegíamos a nossa terra pois a terra era do grupo e não individual, não havia cercas. Tínhamos a certeza que podíamos contar um com os outros, os laços do grupo e da amizade eram tão ou mais fortes que o da família. A Honra, a dedicação e a lealdade ao grupo e todos seus integrantes eram os valores mais importantes, pois a nossa sobrevivência dependia disto e principalmente da cooperação entre todos os membros. Os membros do mesmo clã ou tribo se conheciam intimamente e eram cercados por amigos a vida toda, a solidão era rara. É justamente esta aliança que nos deu talvez a maior vantagem sobre outras espécies (O APOIO MÚTUO de P. Kropotkin). Cada uma destas experiências, cada fogueira que compartilhávamos, e os sentimentos que criamos ficaram gravados em nossos genes> Nossos genes são sociais! Se pretendemos levar projetos como o que propomos adiante, devemos sair da visão individualista e mudar para uma visão mais ampla, para uma visão do todo, isto não significa abrir mão da privacidade ou certos objetivos pessoais, mas devemos ter consciência que devemos colocar nosso esforço, nossa energia, talentos e recursos no grupo, para que o grupo possa a seu tempo nos dar em troca aquilo que esperamos. Como toda relação saudável, deve ter um fluxo em duplo sentido. Hoje com o avanço nas pesquisas da “epigenética”, a qual estuda todas as mudanças em “torno do gene” que mudam o efeito de um gene sem alterar a sequência real do DNA, e umas das coisas surpreendentes que descobrimos é que os genes respondem de forma ampla à vida social. Há uma resposta da expressão genética surpreendentemente rápida ao mundo social que é um fenômeno que estamos apenas começando a entender, mas a nossa vida social pode mudar nossa expressão de genes com rapidez, amplitude e profundidade anteriormente ignoradas. Cerca de um por cento do genoma - uma parcela considerável - responde de forma diferente, dependendo se a pessoa se sente sozinha ou conectada. Isto nos coloca em uma nova perspectiva pois achávamos que nos dias de hoje, o estresse era um dos maiores vilões para a ocorrência de doenças, mas em realidade o isolamento é o fator de risco social ou psicológico mais bem estabelecido e mais robusto para a doença nos dias de hoje. Nada pode competir com ele. Falamos aqui de relacionamentos onde há contato emocional sadio, “profundo”, “íntimo” e “verdadeiro” e não superficial e virtual. E vamos além, não só de relacionamentos humanos senão também com o Todo! Temos que nos livrar pelo menos em parte do conceito do “meu” para entrar no “nosso”. Como grupo aqui em nossas propostas de Vida em comum teríamos inúmeras vantagens além da amizade, irmandade e apoio mútuo emocional. E outras vantagens que vão desde compras coletivas de materiais, veículos, casa de ferramentas, produção e conservação de alimentos, segurança, geração de energia limpa, água, geração de renda para investimentos e, por último, além de que, como grupo, termos muito mais força para surfar no “sistema”. Acreditamos que é uma das poucas formas de conseguir ter maior qualidade de vida nos tempos e acontecimentos que virão num futuro muito próximo.